Tecnologia em favor da produtividade
Publicado no Jornal Brasil Econômico e no Portal do INSPER em 7/1/2014
(http://www.insper.edu.br/noticias/a-tecnologia-como-aliada-da-produtividade/)
Pesquisa indica que a gestão dos benefícios corporativos responde, em média, por 76% dos custos globais das áreas de recursos humanos das empresas. Cerca de metade desse custo poderia ser reduzida se os fornecedores disponibilizassem sistemas mais inovadores, de modo que as equipes de RH tivessem de gastar menos tempo com atividades operacionais, de baixo valor agregado. Dessa forma, os gestores poderiam se dedicar eles próprios a inovar, desenvolvendo atividades estratégicas que permitissem contribuir de maneira efetiva ao desenvolvimento dos demais profissionais e ao crescimento das empresas.
Como faremos isso, no entanto, num ambiente de baixo estímulo à inovação? A experiência de países como a Coreia do Sul nos ensina que a combinação dos estímulos adequados – tanto educacionais como empresariais – é fundamental para o desenvolvimento econômico. Ao mesmo tempo em que reformulou seu sistema educacional, o país adotou novas práticas em favor da produtividade, reformulando sua lógica de processos e estatísticas. O resultado foi a conquista, apenas no ano de 2011, de mais de 170 mil patentes. Na China, verifica-se evolução parecida, com a conquista de ainda melhores resultados na área de pesquisa e desenvolvimento: 400 mil inovações registradas.
O Brasil, por outro lado, conseguiu apenas 20 mil patentes no mesmo período. Estudos do Insper indicam que, o protecionismo pode explicar, pelo menos em parte, a falta de investimentos em inovação. Por incrível que pareça, o que pode ser visto em princípio como uma ajuda – o protecionismo a alguns setores da indústria – acaba resultado em prejuízo intelectual irreparável, principalmente nas áreas de tecnologia. O próprio caso brasileiro demonstra essa realidade: a maior parte das patentes obtidas pelo país é justamente das áreas de agricultura e medicina, nas quais trabalhamos com sistemas de alta competição e precisamos nos destacar e inovar continuamente para sobreviver.
Acrescente-se a isso o fato de que boa parte das empresas brasileiras procura, sempre que possível, passar à margem das regras. Esse “jeitinho” apenas potencializa um modelo mental no qual regulamentos são sempre avaliados não pela ótica de sua importância ou de seus efeitos, mas de como é possível escapar à sua implementação ou observação. Num efeito similar aos vírus e sistemas de antivírus da computação, o governo regula e as empresas inobservam, o governo aumenta a regulação e as empresas ampliam a inobservância.
Trata-se, portanto, de um ciclo vicioso que muitas vezes contribui para a consolidação de estruturas de poder e a limitação da entrada de novos players em determinados segmentos da economia, num claro prejuízo justamente ao potencial de inovação da sociedade. O quadro fica ainda mais complicado quando o governo, de forma direta ou indireta, se beneficia desse modelo no curto prazo, por meio da arrecadação de impostos.
Evidentemente que, sozinha, dificilmente uma empresa poderá escapar por completo desse ciclo vicioso, ainda que se esforce para manter padrões éticos em suas próprias operações. Também é claro que o maior acesso à educação é ferramenta fundamental de suporte desse processo no longo prazo. Mas em prazo mais curto é preciso olhar à nossa volta: o que você, gestor de RH, pode fazer para fomentar a inovação e o desenvolvimento na sua empresa?
Nossa pesquisa mostrou que dispor de fornecedores de sistemas de benefícios corporativos que reduzam a exigência operacional é uma forma de avançarmos. Logicamente não estamos propondo substituir as equipes de RH por tecnologia, por máquinas. A questão é que, ao reduzirem o tempo dedicado a ações operacionais de baixo valor agregado, essas equipes possam se dedicar ao que realmente importa, ou seja, trabalhar de maneira estratégica, para estimular o desenvolvimento do corpo de colaboradores da equipe.
