O Paradoxo da Inteligência

Publicado no Portal RH Central (www.rhcentral.com.br - 4/2/2014)

 

No início da segunda guerra, se pudéssemos analisar os oponentes, provavelmente descobriríamos que a melhor estratégia de guerra foi elaborada considerando uma equipe disciplinada, composta por um grande estrategista, executor e líder, provavelmente, um dos melhores líderes que o mundo nunca antes conheceu e um exército altamente disciplinado.

A Alemanha na segunda guerra teve a melhor qualidade de: estratégias militares, códigos de comunicação, aviões de guerra, além de um exército com alta capacidade de execução.

Por outro lado, tínhamos um homem velho, com muitas perdas, totalmente idealista e com muitos erros ao longo da sua vida política.

Às vezes, nas empresas, estamos totalmente restritos na execução, planejamento e comando. A declaração difundida é foco, foco e foco.

Mas se analisarmos a Segunda Guerra e as empresas com sucesso, a principal razão pela qual as estratégias obtiveram êxito, eram o oposto do planejamento, foco e comando.

Churchill foi um grande executor, mas tinha muitos insucessos políticos, até assumir como primeiro-ministro britânico, provavelmente todos os seus insucessos na política deram-lhe uma base para entender que apenas ser um grande executor não seria suficiente para alcançar uma grande vitória.

Usando seu conhecimento político adquirido durante os primeiros cinquenta anos de vida, ele entendeu que Hitler tinha uma grande fragilidade, ele estava totalmente sozinho, sozinho com a sua inteligência, a sós com a alta qualidade dos equipamentos Alemães, e com o seu exército.

Hitler era tão inteligente quanto míope, e seu foco em estratégia e planejamento foi responsável pela separação entre a Alemanha e a Rússia. Ao mesmo tempo, uma coisa não imaginada aconteceu, Socialistas e Capitalistas compuseram uma aliança contra a Alemanha. Churchill arquitetou uma aliança vitoriosa e em curto prazo inverteu o cenário de guerra e destruiu a Alemanha, aliado aos norte-americanos e russos.

Quando nos lembramos do Dia "D" e a invasão da Normandia, podemos descobrir algumas diferenças entre as mentalidades.

O modelo mental de Hitler orientou os Alemães a pensar que a invasão iria acontecer por Pas de Calais e nunca poderia imaginar que um lugar sem um porto seria um alvo a considerar.

Um modelo mental com alto foco não imaginaria que em alguma guerra, uma nação iria inventar histórias e falsas guerras, para desorientar oponentes, como aconteceu na segunda guerra.

Hoje em dia, ao olhar para a Apple e Samsung, IOS ou Android, veremos novamente que as mentalidades abertas provavelmente criam um ambiente criativo e fértil para ideias diferentes nascerem e crescerem.

A questão é, o que aconteceu?

A Inteligência se reforçou com o êxito e tornou-se cada vez mais míope.

Ao ser inteligente você pode ser flexível e mudar a maneira como está fazendo as coisas?

Ter foco permite que você veja que maneiras simples e rápidas de se fazer as coisas que estão além de seu foco, estão tão adjacentes como invisíveis, porque seu foco está apenas à procura de uma área limitada?

Quando olhamos para a Coca-Cola e Pepsi, quem reforça o seu foco e quem cria outras variáveis ​​e estratégias de mercado? Qual das duas empresas está mais preparada para: superar as mudanças, as abordagens de sustentabilidade e a mentalidade contemporânea?

Seria a inteligência, um paradoxo? Ou, como disse Sócrates: Só sei é que nada sei?


Alexandre Leite