Perestroika Demográfica ou Hídrica
Janeiro/2015
Ao assistir ontem (22/01/2015) no jornal Globonews a entrevista da jornalista Miriam Leitão com o Secretário de Recursos Hídricos de São Paulo Benedito Braga, acredito que consegui compor o resto de informações que faltavam para escrever esse Artigo.
Um diálogo pode acontecer de duas formas: a) O Debate, aonde todos expõem o seu ponto e não existe consenso; b) Generativo, aonde existe um interesse mútuo em troca de conhecimentos e alcance da solução;
A sensação que tive é que a Jornalista falava uma língua e o Secretário outra. Enquanto a jornalista perguntava ao secretário qual o plano “B”, o secretário informava que precisariam avaliar as chuvas dos próximos meses. Entre outras palavras, a jornalista perguntava qual o plano “B” e o secretário respondia qual era o plano “A”.
Em uma das idas à Stanford, tive a oportunidade de viajar com um brasileiro que residia em Washington DC e trabalhava no FMI, discutimos sobre as culturas americanas e brasileiras e creio que ele tenha me dado a melhor resposta para a nossa dúvida sobre o atraso ou subdesenvolvimento do país, ele respondeu, “a sociedade americana executa e não espera o Governo, a sociedade americana se considera mais competente que o Governo”.
Relacionando essa resposta com a entrevista de ontem (22/01), e considerando que a Jornalista representa a sociedade e o secretário o Estado. A conclusão que chegamos é que ainda estamos esperando apenas ações do Governo para solução da crise de abastecimento de água da região Sudeste.
O que precisamos ter claro, no meu entendimento, é que a crise de abastecimento é um problema de todos, não é do estado ou da sociedade.
O Canadá por sua vez desenhou um programa de imigração, aberto ao Mundo, o Canadá fornece orientações em todos os níveis, assistência e apoio aos que desejam imigrar ao Canadá. O Canadá chega a receber 250.000 imigrantes por ano.
Nova Iorque tem 8,4 milhões de habitantes para uma população americana de 316 milhões de habitantes (2,7% da população americana). São Paulo tem 11,8 milhões de habitantes para uma população nacional de 202,7 milhões (5,8% da população brasileira).
Por aí podemos ao menos suspeitar que o problema “de abastecimento de água”, não é um só um problema de abastecimento e também
um problema de distribuição demográfica.
Ao longo dos últimos 100 anos, pouco foi feito no sentido de planejar a distribuição demográfica em todos os Estados. Regiões extremamente promissoras pouco se desenvolveram pela falta de infraestrutura.
O que vimos foi um desenvolvimento exagerado de algumas metrópoles, reinvestimentos em infraestruturas nessas metrópoles gerando mais concentração demográfica e reduzindo relativamente a extensão territorial do país pelas limitações de infraestrutura.
As guerras fiscais, as concentrações de PIB e o que entendemos como êxito de crescimento de um estado, pode significar a perda para todos analisando um “Ecossistema” Nacional maior.
Por outro lado, sabemos que as respostas imediatas às crises:
1- Reconstrução Econômica Americana – Após a crise de 1929;
2- Reconstrução da Europa – Após a segunda Guerra;
3- Desarmamento
4- Fim da Guerra Fria
5- Perestroika
6- Reaquecimento da Economia Americana após a crise de 2008
Só foram possíveis com ações conjuntas, com diálogos generativos e com ações holísticas e completas.
O que quero dizer com isso é que precisamos imediatamente, com o mesmo nível de importância das obras necessárias para melhorar o abastecimento de água e de Eficiência Hídrica, Reorganizar Demograficamente o país.
Precisamos de uma ação conjunta de todos os Estados e entidades Empresariais, no sentido de identificar imediatamente as regiões promissoras que dependem de mão de obra qualificada (e isso existe muito no Brasil) e de obras imediatas de infraestrutura em todas essas regiões, assim como programas planejados de imigração para essas regiões com uma grande equipe de Back office analisando as aplicações de imigração para essas regiões via site ou telefone (copiando o modelo Canadense) criando novas oportunidades para todos e reorganizando demograficamente o país.
Ainda temos 6 meses para executar e não podemos continuar a discutir procurando os responsáveis e deixar de agir como sociedade, uma vez que também somos responsáveis.
Alexandre Leite
